quinta-feira, julho 13

Entrevista com Hellington Vieira e Julliano Bertoldi

Há quanto tempo estão em Portugal e o que é que os fez arriscar noutro país?

HV - Em 2001, eu estava a fazer um estágio na W/Brasil, em São Paulo. Estava a pensar em trabalhar fora do país e fui pedir a opinião do meu director criativo, o Ruy Lindenberg. Ele disse-me que um criativo não devia ter uma vida flat, devia sempre buscar novas experiências. Disse também que primeiro é preciso viver para depois escrever sobre a vida. Depois desta conversa, e como sempre admirei a sofisticação dos conceitos europeus, não pensei duas vezes. Vendi o meu carro e vim.

JB- Viemos juntos. Eu acabei a faculdade, já trabalhava no Brasil há cerca de um ano e resolvi ter uma experiência fora do país.

E há quanto tempo são uma dupla?

JB - Desde que chegámos a Portugal.

Quais são as vantagens e desvantagens de trabalhar tão longe de casa?

HV - A desvantagem é estar longe de casa. A vantagem é estar sempre a conhecer coisas novas.

JB – A vantagem é mudar de vida. A desvantagem é estar longe da família.

É difícil para um jovem criativo entrar no mercado?

HV - Não, desde que o jovem seja mesmo criativo. E esteja preparado para muito trabalho pesado.

JB - Entrar é fácil. O difícil é entrar no sítio certo, que ajude a formar o critério, que reconheça o talento e dê oportunidades.

Querem explicar como aconteceu no vosso caso?

HV - Antes de fazer o estágio na W/Brasil, tinha feito um na Agulla y Baccetti, em Buenos Aires. Quando terminei a faculdade, tinha uns cinco/seis trabalhos feitos nestas agências. Era um portfolio inocente, mas eu vinha com determinação. Acho que foi esta coragem que me garantiu o primeiro emprego.

JB – No final da faculdade, fiz em dois meses e em casa uns 25 anúncios. Escolhi cerca de 7. Nas cinco entrevistas que consegui, demonstrei o quanto queria começar. E comecei.

Quais são os trabalhos de que mais se orgulham?

HV - Os meus preferidos são sempre os mais recentes. Actualmente, gosto da campanha da Colecção Woody Allen e do anúncio que fizémos para os Jovens Criativos do CCP. Também estou empolgado com uma campanha que estamos a produzir.

JB – Idem.

E quando esses trabalhos não são aprovados. Como é que encaram a ideia de
ter que começar tudo de novo?


HV – Sempre que uma boa ideia é reprovada, tentamos encontrar uma ideia melhor.

JB – Nós dois temos este espírito. Tentamos não pensar muito nas ideias rejeitadas. Começamos logo a procurar uma melhor.

Quando criaram a campanha "Woody Allen" aperceberam-se de imediato de que
podiam estar à frente de uma peça para concurso?


HV - Sim. Foi uma sensação muito boa.

JB – Até a apresentação ao director criativo foi mais animada. Ficámos orgulhosos.

O que faz com que se possa ter mais oportunidades e pôr cá fora trabalhos criativos,
os criativos ou a agência onde se encontram os criativos?


HV - As duas partes. Um bom criativo na agência errada não consegue fazer nada. E uma boa agência sem bons criativos, não existe.

Ter um trabalho finalista em Cannes muda a vida de um publicitário?

HV - Ter um shortlist em Cannes é óptimo, torna o nosso portfolio mais atractivo. Mas acho que para mudar a vida é preciso mais. É preciso continuar na corrida aos leões.

JB – A gente fica com mais pica para lutar pelos leões.

Como avaliam o trabalho apresentado este ano em Cannes?

HV - As categorias outdoor e cyber foram as que mais me surpreenderam. Tinham ideias frescas, fora dos formatos convencionais. Vale a pena dar uma vista nestas categorias no site do festival. Infelizmente, nestes meios, Portugal não teve trabalhos em destaque.

JB – Vi muita coisa inteligente e divertida. Parece que a tendência é entreter. Há muitos filmes
e imprensas com várias piadas no mesmo anúncio.

Existe uma grande barreira entre o que se faz em Portugal e o que se faz no mundo?

HV - O trabalho dos países está cada vez mais parecido. Vemos um trabalho na Archive, por exemplo, e só descobrimos onde foi feito quando lemos a ficha técnica. Actualmente, as referências são as mesmas no mundo inteiro, não só para os publicitários, como também para os consumidores.

JB - As diferenças existem principalmente conforme o tamanho dos mercados. Quanto maior, mais consumo, mais dinheiro, mais clientes, mais agências, mais ideias, mais rasgos e mais maus trabalhos também.

E em relação ao Brasil, quais são as principais diferenças?

HV - Acho que os publicitários brasileiros são mais positivos. É uma questão cultural. Noto, por exemplo, que as manchetes dos jornais portugueses geralmente abordam as notícias pelo aspecto mais negativo. Não estou aqui para criticar, mas seria bom ver o mercado ser mais positivo e com mais orgulho do trabalho nacional.

JB - O tamanho do mercado, o tom da comunicação (no Brasil utiliza-se muito o humor) e as pessoas fora da publicidade, que vivem muito mais o mundo dos anúncios do que cá.

9 comentários:

Brazuca disse...

muito legal rapazes!
já penso em vender meu carro e ir me juntar a vocês.

Anônimo disse...

é fácil um jovem entrar no mercado? não, se for mesmo criativo, esteja preparado e entrar no sítio certo.

Boa resposta, é pena não ser verdade, para eles foi fácil, se calhar por alguma razão que não uma das apontadas, mas que é díficil, mesmo com talento, vontade, coragem e etc e tal é.

Anônimo disse...

Existe uma grande barreira entre o que se faz em Portugal e o que se faz no mundo?

HV - O trabalho dos países está cada vez mais parecido.

LOL

Anônimo disse...

se for uma jovem com belas mamas é mesmo muito fácil entrar e sair, entrar e sair, oh, baby, do mercado...

Anônimo disse...

menos na mccan onde um jovem só entrar se tiver a picha grande...

Anônimo disse...

se tiver uma boa indicação já tem 80% de chance, não adianta discurso politicamente correto, o talento apenas não garante emprego e todos sabemos disso.
sou brasileiro e posso afirmar que apenas 1% da população poderia ir estudar em buenos aires, se dar ao luxo de estagiar de graça e pagar faculdade privada.
e desse 1%, menos da metade tem realmente talento, e desses ainda, menos da metade, de novo, têm QI (quem indique).
em qualquer esquina de São Paulo é possível encontrar criativos talentosos que nunca tiveram chance de entrar numa grande agência.
infelizmente, o talento não é mais diferencial, é básico.
o diferencial é sorte e indicação.

Anônimo disse...

para o brazuca que escreveu o post acima: espera um bicadinho enquanto vou buscar meu violino para acompanhar a tua historinha triste... :-(

Edie Falco disse...

Esqueçam tudo, o criativo tem que ter:
1- boa pasta
2- bom aspecto

O resto é balela

Anônimo disse...

ahahahahahahahahahahaha, adorei o violino!
detalhe: no meu caso a história terminou muito bem, estou numa ótima colocação, ótimo salário e sim, sou um dos felizardos que pôde estudar bem, se dar ao luxo de estyagiar sem ganhar nada e fui sim indicado por um amigo de meu pai ao primeiro estágio numa das maiores agências do Brasil.
a diferença é que eu consigo enxergar os dois lados da moeda, talvez por isso tenha conseguido me firmar no mercado.
mas sem o impulso financeiro da minha família e a indicação de um cliente da agência, eu teria perdido a vaga pra um outro criativo menos favorecido e com pasta até melhor!